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Série de Recolhimento Rápido: Fundamentos do Fluxo Total (Full Flow Basics)

Entenda o ciclo de recuperação de fluidos refrigerantes e como a tecnologia certa pode fazer toda a diferença neste processo.

Introdução

Neste artigo do blog, analisaremos o desempenho dos equipamentos e os fundamentos de uma configuração de recolhimento de fluido refrigerante com fluxo total (full flow). Parte importante de um recolhimento rápido é a capacidade de confiar na precisão de suas ferramentas e equipamentos durante todo o processo.

Teste Suas Ferramentas Contra Vazamentos

Antes de realizar qualquer serviço de recolhimento, você deve sempre testar suas ferramentas para garantir que estejam funcionando corretamente e não apresentem vazamentos. A verificação das ferramentas pode variar desde inspeções visuais simples até testes específicos de desempenho inicial (baseline), garantindo que a ferramenta esteja pronta para a tarefa.

Compreender como realizar esses testes para garantir o correto funcionamento dos equipamentos é essencial para assegurar um recolhimento rápido e seguro.

A purga de todo o sistema de recolhimento é fundamental para qualquer trabalho de recolhimento e se aplica a todos os métodos. Purgar as mangueiras e a recolhedora evita que incondensáveis, contaminantes (como umidade e óleo de outros fluidos refrigerantes) e ar se misturem ao fluido refrigerante recolhido. Isso é especialmente importante ao recolher refrigerantes A2L ou levemente inflamáveis, pois a mistura com o ar pode criar uma concentração inflamável. Também garante que qualquer refrigerante a ser reutilizado ou enviado para reciclagem esteja em seu estado mais puro.

Sempre inspecione e teste suas ferramentas antes do recolhimento.

Recolhimento de Líquido vs. Vapor

Ao montar uma configuração para recolhimento rápido, o objetivo é alcançar o fluxo total (full flow). Antes de abordarmos os componentes específicos dessa configuração, precisamos entender a diferença entre recolher líquido e vapor.

O fluido refrigerante em estado líquido pode ser até 300 vezes mais denso do que em estado de vapor. Por esse motivo, é recomendável recolher o refrigerante na forma líquida sempre que possível.

Uma forma prática de entender por que mover líquido é mais rápido do que mover vapor (devido à densidade do líquido) é imaginar duas panelas:

  • Uma panela está cheia de água e a outra está vazia. Precisamos transferir a água de uma panela para a outra.
  • Opção 1: Você pode simplesmente despejar a água diretamente de uma panela para a outra, vaporizando e recondensando apenas o residual que sobrou no fundo.
  • Opção 2: Você pode vaporizar toda a água e, em seguida, recondensá-la na outra panela.

A primeira opção é significativamente mais rápida porque a maior parte da água é movida em sua fase líquida, o que exige muito menos energia do que a mudança de fase. Em contraste, a segunda opção consome muito tempo e energia, pois exige esperar que a água evapore e depois recondense — um processo mais complexo e exigente em termos energéticos.

Essa analogia se aplica diretamente ao recolhimento de refrigerantes, pois mover o fluido em sua forma líquida é muito mais eficiente. No entanto, a movimentação de refrigerantes líquidos pode apresentar desafios para algumas recolhedoras.

Recolhedoras: Cárter Sem Óleo e Isolado do Refrigerante

A maioria das máquinas recolhedoras não consegue recolher refrigerante líquido devido ao risco de danos aos componentes internos (golpe de líquido). Uma solução comum adotada por alguns fabricantes é incluir uma válvula/botão de dosagem (throttling) para controlar a quantidade de líquido que entra no compressor. Embora essa dosagem ajude a evitar o golpe de líquido e possíveis danos, ela restringe o fluxo de refrigerante, desacelerando o processo de recolhimento.

Na década de 1990, os fabricantes começaram a desenvolver recolhedoras com compressores isentos de óleo (oil-less). Essas máquinas não possuem cárter de óleo, mas ainda precisam de lubrificação para seus componentes giratórios. Algumas recolhedoras com compressores isentos de óleo utilizam um design de cárter inundado pelo refrigerante para obter o óleo necessário para lubrificação. Esse projeto depende do óleo do compressor do sistema que fica preso no refrigerante recolhido para entrar no cárter e lubrificar as peças.

A desvantagem desse projeto é o risco de “lavar” os rolamentos do compressor (removendo os óleos lubrificantes) ao bombear refrigerante virgem. Essa perda de lubrificação pode levar à falha prematura dos rolamentos e a uma possível contaminação cruzada. Além disso, máquinas com esse design precisam de uma função de purga para remover o refrigerante preso dentro do cárter inundado ao final do recolhimento, adicionando uma etapa extra para manter a conformidade e evitar contaminação.

Para obter os tempos de recolhimento mais rápidos, você precisa de uma recolhedora que consiga lidar com refrigerantes líquidos. Uma recolhedora com cárter permanentemente lubrificado e isolado do refrigerante, como a G5Twin, elimina os riscos de bombear líquido. Sem depender do óleo do compressor, essas recolhedoras podem bombear refrigerante líquido e virgem sem problemas. Isso possibilita uma configuração de fluxo total (full flow), aumentando as velocidades de recolhimento e a praticidade no local de trabalho.

A Importância dos Filtros Secadores

Outro elemento importante na sua configuração de recolhimento é o filtro secador. Sua principal função é proteger a recolhedora contra detritos e contaminantes, e não “limpar” o refrigerante em si. Isso é especialmente importante ao realizar manutenção em sistemas que estão úmidos, sofreram queima do compressor ou estão contaminados de outra forma.

Deixar de substituir o filtro secador pode resultar em recolhimentos extremamente lentos e contaminação cruzada. Portanto, como boa prática, é altamente recomendável usar sempre um filtro secador e substituí-lo regularmente entre os serviços para garantir a longevidade e a operação eficiente da sua recolhedora.

Além disso, é importante garantir que o refrigerante não fique retido por válvulas solenoides, válvulas de expansão e caixas distribuidoras (branch boxes). Esses componentes podem ser controlados por ímãs ou pelos próprios controles do sistema para garantir o fluxo total e a recuperação completa do fluido.

Conclusão

Agora que você compreende o desempenho adequado dos equipamentos e os princípios básicos do fluxo total, podemos avançar para as práticas avançadas de fluxo total aplicadas durante o processo de recolhimento.

original: Appiontools.com